MEIO AMBIENTE – A possível formação de um forte fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 tem acendido um sinal de alerta no setor elétrico brasileiro. Especialistas apontam que a mudança climática pode aumentar o risco de acionamento das bandeiras tarifárias mais caras e elevar os preços da energia elétrica para consumidores e empresas.
De acordo com projeções climáticas internacionais, há elevada probabilidade de formação do fenômeno ainda nos próximos meses, com possibilidade de permanência durante o verão de 2026/2027. Alguns modelos meteorológicos já indicam a chance de um evento de forte intensidade, conhecido como “Super El Niño”.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações nos regimes de chuva em diversas regiões do Brasil. Entre os principais impactos previstos estão a redução das chuvas no Norte e Nordeste, atraso do período chuvoso no Sudeste e Centro-Oeste e aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos na Região Sul.
Para o sistema elétrico nacional, que ainda possui forte dependência da geração hidrelétrica, o cenário pode representar um desafio operacional. A diminuição das chuvas afeta diretamente o nível dos reservatórios, reduzindo a capacidade de geração das usinas hidrelétricas e aumentando a necessidade de acionamento de usinas termelétricas, cuja operação possui custo mais elevado.
Segundo especialistas do mercado de energia, os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste ainda apresentam níveis considerados confortáveis. No entanto, temperaturas acima da média e um possível atraso das chuvas podem acelerar o consumo das reservas hídricas ao longo do segundo semestre.
Além disso, uma estiagem prolongada nas regiões Norte e Nordeste pode aumentar a dependência energética do subsistema Sul, onde predominam usinas com menor capacidade de armazenamento. Esse cenário tende a pressionar os preços da energia negociada no mercado de curto prazo.
Bandeira amarela continua em junho
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou a manutenção da bandeira tarifária amarela para o mês de junho. Com isso, os consumidores terão cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos.
A medida reflete a redução das condições favoráveis para geração hidrelétrica durante o período seco e o aumento da necessidade de utilização de usinas termelétricas. Nos primeiros meses do ano, o sistema operou sob bandeira verde, mas desde maio a bandeira amarela voltou a ser acionada.
Especialistas alertam que, caso as previsões climáticas se confirmem e o El Niño ganhe intensidade nos próximos meses, existe a possibilidade de novas mudanças nas bandeiras tarifárias e aumento dos custos de geração de energia no país.
